Outro assunto do Boletim Nº 127 é a carta da estagiária Carla Guerra publicada na pág. 12. Esta colega diz coisas acertadas, como o facto dos estágios da Ordem serem uma mina de mão-de-obra à borla, mas conclui que a culpa é da grande «...quantidade de cursos de arquitectura que existem actualmente no país...».
Mas o que é que o cu tem a vêr com as calças? Quantos mais arquitectos, melhor, e mais o direito à arquitectura será para todos.
O problema não reside na quantidade de arquitectos, mas no formato do estágio, que está errado. Porque é que arquitectos provenientes de cursos que têm estágio no currículo escolar o têm que repetir para a Ordem?
E porque é que toda a gente tem de trabalhar em gabinetes ou em Câmaras Municipais? E, já agora, qual é a pressa em inscrever-se na Ordem, se a seguir não há trabalho? ... A não ser que... a não ser que se vá trabalhar para outro lado. Em lugar de estar ao balcão de uma loja qualquer, bem podemos estar ao balcão de uma loja especializada. Fábricas de materiais de construção, vendedores de painéis de fachada, vendedores de cozinhas, etc..., só tereis a ganhar em empregar arquitectos em vez de tipos que nem sabem ler desenhos!...