... tem vindo a degradar-se...». Não fui eu que escrevi isto, foi Paulo Martins Barata na Newsletter de Setembro. E vem a servir de título a um artigo sobre ensino de arquitectura.
A qualidade a degradar-se ainda percebi, mas o que será um número degradado?
Pelo desenvolvimento do artigo acabamos por perceber que degradado quer dizer elevado, e que há falta de qualidade porque há muitos arquitectos. Não concordo com este enunciado. Para mim, quantos mais arquitectos, melhor, e isso não implica necessariamente falta de qualidade.
Noutro dia li um editorial dum Professor a dizer o mesmo. Que os licenciados são muito maus. Só se preocupam com a imagem. Não se preocupam com a Ética, com a estrutura e com aquelas coisas que eles defendem que devem haver na arquitectura.
E era professor. Mas não era um professor qualquer. Era nem mais nem menos do que o Coordenador do 4º Ano de Arquitectura e coordenador da cadeira de projecto. E lembro-me que ele fez rigorosamente o contrário do que estava previsto no programa que os outros professores planearam no inicio do ano.
A culpa não é só dos alunos.
Se algo está mal que comecem a pensar no que está mal e não criticar o elo mais fraco que são os alunos. Eu penso que estes professores deviam compreender a nossa geração e incentivar mais o prazer da arquitectura.
O meu professor de projecto queixava-se que nós não tinhamos iniciativa e não tinhamos qualquer interesse em perceber e tentar compreender as coisas. Nós respondiamos que não tinhamos tempo, o que era incompreensivel para a geração da tinta da china (vs CAD).
E é mesmo verdade. Nós não temos tempo. De manhã á tarde estamos atolados de aulas e não temos tempo para investigar, para explorar o quer que seja.
Eles não compreendem a nossa geração. E isso é incompreensivel nos professores. A nossa geração é completamente diferente da deles.
Infelizmente muitos colegas meus, senão a maioria tira o curso de arquitectura como estivesse a tirar o curso de inglês num instituto qualquer. A arquitectura para eles é um mero emprego. Eu discordo dessa maneira de ver a arquitectura. Mas isto é a reacção do curso de arquitectura nos alunos de hoje. São tantos trabalhos inuteis a confrontar com a cadeira de projecto que no final ninguém faz nada de jeito.
Aos professores que estão ler isto que fiquem com esta ideia:
A culpa não é só dos alunos, é vossa.