Pode dizer-se que até aos anos 70 do séc.XX, o arquitecto, ou o urbanista, era chamado à resolução dos grandes problemas urbanos e ao desenho do território à grande escala.
Todos estudámos os planos de Corbusier, de Paris a Chandigarh, e tudo o que se seguiu. Bem ou mal, o arquitecto era o fazedor da cidade. Pelo menos assim gostamos de pensar.
Hoje, quando se trata das grandes decisões estruturadoras do território, não somos consultados. Primeiro chamam-se os políticos, os banqueiros, os economistas, os juristas, os engenheiros de tráfego ou civis. Ninguém pergunta ao arquitecto opinião sobre uma auto-estrada, um aeroporto, um inter-face, um TGV, uma estação de metro. Depois de tomadas as decisões é que nos chamam para vestir a noiva, para tapar o buraco, para resolver o interstício, para ocupar o vazio.
Isto é só uma constatação, não é uma queixa. Até porque a culpa é nossa, que não só não tivémos andamento como nos especializámos em imagem e em imagem da imagem e em imagem da imagem da imagem, muitas vezes apenas para consumo próprio.
Parece-me que esta atitude não se aplica somente aos arquitectos. Há tempos li uma entrevista a Manuel Maria Carrilho onde se questionava - duvidava! - da sua competência como candidato à CM de Lisboa. Seria ele capaz de aguentar uma "máquina" daquelas? O homem respondeu sorrindo que sim, pois se já tinha posto em marcha uma máquina maior: o Ministério da Cultura! No fundo o que era preciso era... pensar, organizar, planear! Supõe-se que se fosse um engenheiro, por exemplo, a questão da competência não se poria...
Pois é, a arquitectura não é (ainda) uma profissão "séria" - os gajos fazem uns riscos e tal, umas coisas que até são giras... mas isto de fazer cidade é coisa séria, venham de lá os "técnicos"!
É lamentável...
A guerra dos arquitectos tem de ser (também) esta. Para que é que vocês pagam quotas para a vossa Ordem?
vamos todos para o blogue da leninha roseta dizer umas verdades http://blog.arquitectura.com.pt
Afixado por: arquitecto x em novembro 12, 2004 02:22 PMO problema é tb ninguém sabe de facto qual é a actividade do arquitecto.
Parece-me q isso é uma coisa q se sente, não se diz, não se consegue ensinar ou descrever apenas formar ... e essa formação que falta a alguns, arquitectos e/ou não arquitectos ...
PIMBA! E a que se deve assim de repente esta constatação?
Se leio os dois últimos parágrafos parece-me que te referes a Portugal. No entanto os exemplos do primeiro parágrafo são estrangeiros.
As perguntas que se impõem são pois:
Será que em Portugal alguma vez "o arquitecto, ou o urbanista, era chamado à resolução dos grandes problemas urbanos e ao desenho do território à grande escala."?
Será que no resto do Mundo "Ninguém pergunta ao arquitecto opinião sobre uma auto-estrada, um aeroporto, um inter-face, um TGV, uma estação de metro."?