Era a brincar... é só um exercício académico, como podem verificar aqui
Hoje, primeira segunda-feira do mês de Outubro, comemora-se o dia mundial da arquitectura. Quantos, excluindo os arquitectos, sabem disso?
A nossa Ordem não aproveitou a data para desenvolver acções dirigidas ao grande público. Mas fartaram-se de trabalhar... em iniciativas dirigidas a nós próprios.
Nós arquitectos temos uma atitude sobranceira em relação a outros profissionais que trabalham connosco. Somos uns iluminados, produtores de obras-primas prontamente deturpadas por quem chega a seguir, os engenheiros, os construtores.
Esta atitude só leva ao isolamento progressivo do arquitecto. Para que sejamos respeitados temos que nos pôr no nosso lugar, que é o de membro de uma equipa, tanto mais alargada quanto mais complexo fôr o projecto. As ideias têm que ser discutidas com todos os intervenientes, engenheiros civis e electrotécnicos, paisagistas, etc.,... logo na fase de estudo prévio. O projecto será o resultado da cooperação entre todos e não uma «obra de autor» cheia de «conceito» onde se encaixam os outros, se conseguirem.
É claro que tem que haver quem integre os inputs de cada um e coordene todas as especialidades. E esse só pode ser o arquitecto, não por ser o chefe, mas porque assiste a todo o processo desde o esquisso inicial até ao final da obra.
Só assim se pode reivindicar aquele nosso direito exclusivo, o de sermos os únicos a estar preparados para o exercício da arquitectura, para o exercício da organização do espaço.
... sobre o ensino da arquitectura.
Para ingressar num curso de arquitectura nas universidades estatais é necessária a prova específica de geometria descritiva. Nas universidades privadas entra-se com a prova de matemática, desenho, história das artes visuais, sociologia, geografia ou português... não em complemento, mas em alternativa à de geometria. Até pode acontecer a entrada de quem nunca tenha estudado tal matéria. Devia tornar-se obrigatória a prova específica de geometria descritiva para ingresso em qualquer curso de arquitectura.
Outra situação frequente é a existência de estudantes que não tiveram no secundário matemática ou história, que são a base de muitas das disciplinas estudadas nos primeiros anos dos cursos de arquitectura. Talvez se pudesse fazer uma reformulação dos programas de algumas disciplinas do 1º ano. Por exemplo, o 1º semestre seria uma espécie de repetição de matérias do 12º, como História das Artes Visuais ou Matemática. Uns reviam a matéria e os outros ficavam com umas luzes...