dezembro 31, 2003

Souto Moura errou

No projecto do edifício para o Departamento de Geociências, em Aveiro, o arquitecto Souto Moura errou. Errou no pé-direito mínimo para habitação aplicado a um edifício de serviços, e na consequente subversão da escala e da proporção. Ora isto é um erro de principiante habituado a projectos de pequena dimensão, e que se vê de repente com um grande projecto.

Bem pode ele, a posteriori, dizer que foi obrigado pelo cliente a encaixar um programa extenso naquela volumetria, e que diluiu ou anulou o problema da escala através da aplicação de lâminas horizontais na pele do edifício. Na minha opinião (eu sei que é pouco douta, mas tenho-a na mesma) a questão ultrapassa a escala e a pele, antes se prende com falta de coordenação entre projecto de arquitectura e projectos das várias especialidades de engenharia. Não há desenho de pormenor algum que remende tubos, canalizações, redes e fios disto e daquilo metidos a martelo num projecto de arquitectura; tudo isso devia ter sido discutido e pensado em conjunto com o arquitecto em fase precoce do projecto. Já aqui abordei esse assunto.

Salvou-se o exterior do edifício, é verdade. Não se salvou o edifício como um todo.

Publicado por arquichato em 11:35 PM | Comentários (1)

dezembro 04, 2003

As torres e o túnel

Enquanto se discute sobre as torres de Alcântara, sobre as vantagens ou desvantagens do projecto e da encomenda ao seu santo autor (acalmem-se lá, aquilo não é para construir), o túnel avança. E aqui sim, a especulação imobiliária vai andando pela calada, como sublinham os textos desta senhora (Leonor Coutinho não é arquitecta, mas é atenta a problemas urbanísticos).

Publicado por arquichato em 10:45 AM | Comentários (0)