Quem vai a uma exposição de arquitectura espera vêr maquetas, fotos e desenhos referenciados às respectivas obras, apresentados de forma que possa visitá-la em meia hora ou em 3 horas, demorar-se nalguma parte ou fazer zapping à vontade. Isto é o mínimo que se exige, e pode conseguir-se com mais ou menos interactividade, ou filmes, ou luzes, ou som, ou fogo de artifício, com muitos ou com poucos meios.
Pensava eu... Porque hoje fui à Cordoaria visitar a exposição Habitar Portugal 2000-2003, e o que lá vi foi isto: uma sala às escuras, com projecção criativa de slides em grandes telas... de várias obras, ao mesmo tempo, sem referência explícita a locais ou autores. De vez em quando lá aparece um bocado de texto que nunca dá tempo para ler. Não há sequer ângulo que permita uma visão à distância. Mesmo para um arquitecto bem informado, que conheça boa parte das obras, é impossível identificar muitas das imagens. Totalmente hermético para os outros.
À saída ganhei um azulejo oferecido por uma das empresas patrocinadoras. Mas a melhor parte foi observar os co-visitantes, todos sem saber para que tela olhar, a tentar perceber de que obra seria aquele slide e quem seria o seu autor, ou mesmo que parte da obra se quereria mostrar. Era vê-los desesperados a tentar agarrar qualquer coisita...
Lá estava uma arquitecta, já crescidinha, com cara de enganei-me-no-filme, mas com esperança num final redentor... e muitos estudantes, com cara de quero-aprender-esta-lição... uma má lição, que provavelmente muitos tomaram por boa.
É em Londres, perto do centro. A encomenda é de um grande grupo económico que me exigiu um edifício 4 vezes mais alto que o Big Ben. Já lhes prometi uma animação 3D e uma perspectiva à-vol-d`oiseau com um planador. Também os avisei que teriam que negociar com o mayor.
Algumas das melhores torres do mundo, construídas ou em projecto, têm a assinatura de Sir Norman Foster. Por exemplo, a sede do Hong Kong and Shanghai Bank e a Torre Milénio em Tóquio. Essas é que são torres a sério. Já a de Lisboa é pindérica e, pior, estraga-me a vista do Tejo, coisa que nem as torres das Amoreiras conseguiram fazer.
Tão pindérica que eu nem me devia aflijir. Tal como as torres de Alcântara, aquilo não é para construir. É só para preparar o terreno e o povo para a revisão do Plano Director que aí vem.
... não gosto de arquitectura."
"Detesto casas para pobrezinhos..."
mestre Vítor Figueiredo, citado de cor.
Descodifiquem o que isto quer dizer aqui