Pode dizer-se que até aos anos 70 do séc.XX, o arquitecto, ou o urbanista, era chamado à resolução dos grandes problemas urbanos e ao desenho do território à grande escala.
Todos estudámos os planos de Corbusier, de Paris a Chandigarh, e tudo o que se seguiu. Bem ou mal, o arquitecto era o fazedor da cidade. Pelo menos assim gostamos de pensar.
Hoje, quando se trata das grandes decisões estruturadoras do território, não somos consultados. Primeiro chamam-se os políticos, os banqueiros, os economistas, os juristas, os engenheiros de tráfego ou civis. Ninguém pergunta ao arquitecto opinião sobre uma auto-estrada, um aeroporto, um inter-face, um TGV, uma estação de metro. Depois de tomadas as decisões é que nos chamam para vestir a noiva, para tapar o buraco, para resolver o interstício, para ocupar o vazio.
Isto é só uma constatação, não é uma queixa. Até porque a culpa é nossa, que não só não tivémos andamento como nos especializámos em imagem e em imagem da imagem e em imagem da imagem da imagem, muitas vezes apenas para consumo próprio.